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'Elon Musk brasileiro' quer lançar 1º carro elétrico 100% nacional em 2024: 'Me arrisquei em um negócio louco'


Flávio Figueiredo Assis nasceu no Espírito Santo e é CEO de uma montadora nacional de veículos que pretende lançar o primeiro veículo elétrico 100% fabricado no Brasil. A trajetória do bilionário Elon Musk é uma inspiração na vida de Flávio Figueiredo Assis, CEO de uma montadora nacional de veículos Gonzalo Fuentes/ Arquivo Pessoal As histórias de negócios visionários são até parecidas e aproximam dois homens de negócios que, a princípio, não teriam nada em comum não fosse a aparência - ainda assim questionável. Enquanto um nasceu no interior do Espírito Santo, outro se tornou um dos homens mais ricos e controversos do mundo. A trajetória do bilionário Elon Musk é uma inspiração na vida de Flávio Figueiredo Assis, CEO de uma montadora nacional de veículos que, assim como o sul-africano, pensa no futuro e quer se aventurar na onda dos carros elétricos. Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Telegram "Peguei meu patrimônio e arrisquei em um negócio louco. Elon Musk também fez isso. As pessoas estão buscando mais estabilidade do que inovação, e um empreendedor tem que arriscar mais em prol de um mundo melhor", disse Flávio. Em entrevista ao g1, o empresário capixaba disse que o processo de desenvolvimento de um carro elétrico 100% nacional já está bem avançado e deve ser lançado no mercado brasileiro em dezembro de 2024. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Carro elétrico 100% nacional deve ser lançado em dezembro de 2024, no Brasil. Arquivo pessoal "Somente a parte eletrônica, motores e baterias virão do fabricante chinês Wiston, que também fornece para outras duas gigantes do setor. O restante, que representa 65% das peças, são nacionais porque nosso país é rico em matéria-prima", disse o empresário. Fundada em 2022, a sede da montadora Lecar, que pertence a Flávio, está localizada em Alphaville, na Grande São Paulo. A planta industrial fica em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde estão outras empresas do setor. LEIA TAMBÉM: Quem é Elon Musk Desafios Para desenvolver o projeto e dar corpo ao sonho, de acordo com Flávio, um dos desafios para a construção do protótipo foi falta de mão de obra especializada. Protótipo do model 459, carro elétrico 100% nacional Arquivo pessoal "A gente trouxe um carro da Tesla [empresa de Elon Musk] para o nosso time engenharia desmontar e montar novamente. Isso porque carro elétrico é novidade no mundo e a gente teve que ir mais a fundo, inclusive desmontando um veículos para os funcionários ficarem mais seguros", disse. Ao todo, 150 pessoas estão envolvidas no projeto, sendo que 30 funcionários diretos compõem o quadro de funcionários da empresa, muitos deles com passagens importantes por empresas como a histórica Gurgel, Troller, JPX, Ford, Toyota, Nissan e Marcopolo. "Já finalizamos a parte de fornecedores e projetos. Agora, a gente está materializando o carro por meio de um protótipo, o Lecar Model 459, o primeiro e único veículo elétrico 100% nacional", disse o empresário. Empresário Flávio Figueiredo Assis, do Espírito Santo, é CEO de uma montadora nacional de veículos, conhecido como Elon Musk brasileiro Divulgação Ainda de acordo com o empresário, o protótipo do carro elétrico deve ser finalizado em abril deste ano, quando será enviado para Londres, na Inglaterra, para as homologações. "O protótipo do carro elétrico precisa ser submetido a avaliações de impacto, aerodinâmica e simuladores de segurança. Essa etapa deve durar até o final do ano. Depois disso, o produto entrará em linha de produção", disse. Segundo Flávio, o capital é 100% próprio, mas a expectativa é fazer o IPO (oferta pública inicial) em 2025. "A gente está buscando as mesmas condições tributárias que a China tem para produzir carros. Cada dia que passa, a necessidade de cuidar do clima, do meio ambiente, aumenta. Fechamos 2023 de forma bem desafiadora quando se trata de clima", disse. LEIA TAMBÉM: Pesquisadores da Ufes desenvolvem prótese robótica com tecnologia avançada para amputados no ES Por que o combustível que eu queimo todo dia no meu carro contribui para mais ondas de calor? Bateria para 400 km Flávio explicou ainda que o preço do veículo deve ficar em R$ 279 mil e a autonomia da bateria será de 400 quilômetros. A estimativa é produzir 300 veículos por mês já no primeiro ano de fabricação, gerando R$ 1 bilhão de faturamento. O foco das vendas será a Grande São Paulo, especialmente entre a capital paulista, Campinas e São José dos Campos, onde a empresa deve investir em uma rede de infraestrutura para recarregamento de bateria. "Vai ser um SUV com 180 cavalos, porta-malas de 1.000 litros e com condições para atender às características das estradas do Brasil", acrescentou o empresário. Por que Elon Musk brasileiro? Flávio Figueiredo Assis, 51 anos, é do interior do Espírito Santo Arquivo pessoal Natural de Guaçuí, na Região do Caparaó do Espírito Santo, Flávio é formado em Contabilidade e Direito. Antes de ter uma montadora de veículos elétricos, o empresário foi dono de uma empresa de uma administradora de cartões PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), que chegou a uma movimentação anual de R$ 1 bilhão, fornecendo para mais de 600 prefeituras e órgãos públicos e mais de 3 mil empresas privadas. "Há dois anos, em 2022, eu vi um movimento da Ford fechando e isso mexeu comigo. Eu descobri uma regulamentação brasileira para redução de emissões de CO2 de veículos até 2027. Eu me interessei nesse projeto, fiz alguns estudos, e vi que não tinha dinheiro para tocar esse negócio. Foi aí que eu recebi a proposta de vender a empresa que eu tinha e investir nesse ramo. Foi isso que eu fiz", disse. De acordo com o Flávio, ele sabe que é comparado a Elon Musk e aprecia a trajetória do bilionário. "Eu me inspirei muito na história dele. Nas minhas primeiras pesquisas, quando fui ler algumas biografia, me inspirei muito em Elon Musk, no Tesla, também no Gurgel... Até acho que cada nação deveria ter um Elon Musk, não só na área da mobilidade, mas da medicina, educação, em todas as áreas", contou ao g1. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Mega-Sena pode pagar R$ 120 milhões nesta terça-feira, maior prêmio do ano


Apostas podem ser feitas até as 19h em lotéricas ou pela internet. Aposta única da Mega-Sena custa R$ 5 e apostas podem ser feitas até as 19h Marcelo Brandt/G1 A Caixa Econômica Federal promove nesta terça-feira (27), a partir das 20h, o sorteio do concurso 2.693 da Mega-Sena. Nesta edição, a Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 120 milhões para os acertadores das seis dezenas — o maior valor do ano. No concurso do último sábado (24), ninguém levou o prêmio máximo. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 5 e pode ser realizada também pela internet, até as 19h – saiba como fazer. A Mega soma três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Entenda como funciona a Mega-Sena e qual a probabilidade de ganhar o prêmio Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos. É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 5, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 22.522,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

Antes um pilar do bolsonarismo, militares desaparecem de ato na Avenida Paulista

O ato político em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo (25) na Avenida Paulista, em São Paulo, mostrou o desaparecimento de um dos pilares do bolsonarismo: a ala militar. Onipresentes ao longo dos quatro anos de mandato – mesmo depois a derrota de Bolsonaro nas urnas, com os acampamentos em frente aos quartéis do Exército –, os militares desapareceram do palanque, dos discursos e, principalmente, das faixas, cartazes e apelos dos manifestantes que estiveram no ato. É um claro efeito do avanço das investigações da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe militar e de reverter o resultado das eleições de 2022. Generais sempre incensados por Bolsonaro, como seus ex-ministros Braga Netto – vice na chapa à presidência em 2022 – e Augusto Heleno, são agora investigados. E sequer foram lembrados nas falas. Apoiadores de Bolsonaro fazem manifestação na Avenida Paulista Fator religioso O apoio a Bolsonaro demonstrado neste domingo está calcado no público religioso. Mais precisamente, nas igrejas evangélicas neopentecostais. A crise diplomática aberta com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a partir das falas de Lula também ajudou a multiplicar as bandeiras de Israel presentes no ato. Apesar de o judaísmo não ser uma religião cristã, as igrejas evangélicas mais conservadoras incorporaram elementos judaicos pela identificação com o Antigo Testamento, que narra a história do povo de Deus. Representantes do agronegócio, eleitores conservadores e um público que se considera antipetista ajudaram a engrossar o movimento de apoio a Bolsonaro. Deputados, senadores e governadores – o mais aclamado deles foi Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo – se fizeram presentes, numa demonstração de que o apoio e espólio político de Bolsonaro seguem em disputa. Apoiadores participaram de ato convocado por Jair Bolsonaro em SP

Governo anuncia programa para estabelecer moradias populares em imóveis da União


Plano prevê a destinação de imóveis da União que não estão em uso para abrigar famílias de baixa renda. Prédios e terrenos também serão usados para equipamentos sociais, como escolas. A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante cerimônia no Palácio do Planalto Reprodução/Canal Gov O governo anunciou nesta segunda-feira (26) a criação de um programa de moradias populares nos imóveis da União que não estão em uso ou estão subutilizados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do anúncio, que foi feito no Palácio do Planalto. "Nós estamos começando uma coisa nova que tomamos a atitude de fazer desde março de 2023 [...] e agora achamos que está pronto para fazer o lançamento. A partir desse lançamento é que vamos começar a trabalhar na distribuição dos imóveis, sendo que alguns já foram distribuídos ao longo de 2023", disse Lula. Segundo a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, a ideia é inverter a lógica do plano de privatização dos imóveis, previsto no governo anterior. "Essa foi uma proposta do ministro da Fazenda [Fernando Haddad], que ele inclusive quando foi prefeito fez esse processo e ele concorda com a visão do governo como um todo de que o objetivo dos imóveis não é ser vendido para gerar arrecadação", declarou Esther. No governo no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o então ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a estimar uma receita de R$ 1 trilhão com a venda dos imóveis da União. Segundo a ministra da Gestão, esse valor é superestimado. "Em relação ao valor de R$ 1 trilhão, que era anunciado, isso envolvia desde os prédios da Esplanada aos terrenos de Marinha [áreas na faixa litorânea]. Ele é um número que é superestimado em sentido do que poderia ser de fato arrecadado caso você conseguisse vender o patrimônio", declarou Dweck. Com o programa intitulado Imóvel da Gente, o governo vai ceder ou fazer permutas de áreas para a construção de moradias populares ou de empreendimentos de uso social, como escolas ou unidades de pronto atendimento. Entregas Segundo Dweck, o governo já realizou 246 entregas em 174 municípios ao longo de 2023. Ao todo, nos quatro anos de mandato, o governo Lula planeja destinar ao menos 1.000 imóveis da União. Essa estimativa considera os imóveis do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que são objeto de estudo por um grupo de trabalho criado nesta segunda-feira (26), e eventual cessão de prédios de estatais. Nesta segunda-feira (26), com a assinatura do decreto que cria o programa oficialmente, o governo anunciou novas entregas no Rio de Janeiro e na Bahia. Ao estado da Bahia, o governo cedeu um imóvel no município de Amargosa, para construção de uma escola, além de celebrar um acordo para definir uma proposta de empreendimentos para o antigo aeroporto de Vitória da Conquista. Com o Rio de Janeiro, o governo celebrou um acordo para a elaboração de proposta de empreendimento de múltiplos usos na antiga Estação Leopoldina. O município planeja restaurar o edifício para abrigar moradias da Minha Casa Minha Vida, centro de convenções e Cidade do Samba 2. Também em relação ao Rio de Janeiro, foi entregue a carta de anuência para a entidade selecionada, no âmbito do MCMV-Entidades, na Rua Sara, Bairro Santo Cristo, no Rio de Janeiro. O edifício será reformado, beneficiando famílias de baixa renda. Entenda o programa O programa prevê a destinação de áreas da União para políticas públicas consideradas prioritárias, separadas em quatro grupos: habitação - são casas do programa Minha Casa Minha Vida, além de empreendimentos para locação social e com orçamento dos próprios estados, municípios ou parceiros; regularização fundiária - regularização dos imóveis da União que já estão ocupados e urbanização de assentamentos precários; programas estratégicos - destinação dos imóveis para o Novo PAC ou outras políticas e programas estratégicas do governo; empreendimentos de múltiplos usos - prevê o uso de parcerias público-privadas e permuta de imóveis por obras, principalmente em áreas de grande porte. O governo poderá fazer essa destinação por meio de: cessão; doação com encargos; entrega - prevê a destinação do imóvel aos órgãos federais dos Três Poderes, como uma forma de reduzir gastos com aluguel; alienação ou permuta - venda ou troca de imóveis com a iniciativa privada. "Em relação ao custo do aluguel, temos um programa interno do ministério [...] de justamente ver órgãos federais que hoje pagam aluguéis muito altos e que poderiam estar utilizando outros prédios da União tanto no Distrito Federal quanto em estados do Brasil inteiro", disse Dweck. O programa também abarca os prédios da União tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

G20: combate às desigualdades, tributação e ações ambientais são temas dos encontros desta semana


Na semana passada, chanceleres do G20 se reuniram no Rio; nesta semana, ministros de Finanças se encontram em São Paulo. São esperados cerca de 450 delegados, de 73 países. Tatiana Rosito, secretária de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda e coordenadora da Trilha de Finanças do G20. Kelly Fersan A coordenadora da Trilha de Finanças do G20, Tatiana Rosito, informou nesta segunda-feira (26) que as reuniões de ministros de Finanças e de presidentes dos bancos centrais do grupo, marcadas para esta semana em São Paulo, terão como foco as discussões sobre temas como combate às desigualdades, tributação internacional e financiamento de ações ambientais. O G20 reúne as principais economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana. O Brasil comanda o grupo desde dezembro do ano passado — a presidência brasileira se encerra em novembro deste ano, com a cúpula de chefes de Estado, no Rio de Janeiro. (saiba mais abaixo) Na semana passada, os chanceleres do G20 se reuniram no Rio. Para esta semana, estão previstos nos dias 28 e 29 os encontros de ministros de Finanças e de presidentes dos bancos centrais. Mais cedo, nesta segunda, o Ministério da Fazenda informou que o ministro Fernando Haddad foi diagnosticado com Covid-19 e, com isso, participará dos encontros de forma virtual. Quando o Brasil assumiu o comando do G20, o presidente Lula definiu três eixos centrais de discussão: inclusão social com combate à fome e à pobreza; transição energética e desenvolvimento sustentável; reforma da governança global. Segundo Tatiana Rosito, a partir desses três eixos centrais, o país decidiu pautar os seguintes temas nas reuniões de ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais: relação entre as desigualdades e as políticas econômicas; diagnóstico sobre a economia global (perspectivas de crescimento, inflação, geração de emprego e cooperação); tributação internacional (foco na tributação progressiva); dívidas nacionais e financiamento do desenvolvimento sustentável. “Esperamos que essas discussões, que ocorrerão em nível ministerial, nos deem oportunidade para troca de ideias, mas, também, para avançar concretamente na formação de consensos que propiciem a mobilização maciça de recursos domésticos e internacionais para um crescimento sustentável, equilibrado e inclusivo”, afirmou a coordenadora da Trilha de Finanças do G20. Ministros da fazenda dos países do G20 debateram combate à pobreza em SP ODS e Acordo de Paris Na avaliação da coordenadora da Trilha de Finanças do G20, o grupo é “crucial” para garantir o financiamento — em nível global — de ações relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ao Acordo de Paris. Os chamados ODS foram definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e preveem, por exemplo, garantir energia limpa e acessível; água potável universal; erradicação da pobreza; cidades sustentáveis; e ações contra as mudanças climáticas. Definido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), o Acordo de Paris prevê a adoção de medidas que reduzam a emissão de gases do efeito estufa e, consequentemente, o ritmo das mudanças climáticas. “Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais, em seu conjunto, são responsáveis diretos por aspectos fiscais, regulatórios e financeiros necessários para permitir a implementação de políticas domésticas e de incentivos ao investimento”, afirmou Tatiana Rosito nesta segunda-feira. “E também são os representantes dos países nos ‘boards’ de instituições financeiras internacionais e nos bancos multilaterais de desenvolvimento, instrumentos fundamentais para levar adiante a agenda da trilha financeira”, concluiu. Começam os preparativos para o G20, que acontece no Rio, em novembro O que é o G20? O Grupo dos 20, ou G20, é uma organização que reúne ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais de 19 países e de dois órgãos regionais, União Europeia e a União Africana. Juntas, as nações do G20 representam cerca de 85% de toda a economia global, mais de 75% do comércio mundial e cerca de dois terços da população mundial. O G20 conta com presidências rotativas anuais. O Brasil é o atual presidente do grupo, tomou posse em 1º de dezembro de 2023 e fica no comando até 30 de novembro de 2024. Durante esse período, o país deve organizar 100 reuniões oficiais. A principal delas será a Cúpula do G20 do Brasil, programada para os dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro. Depois de cada Cúpula, o grupo publica um comunicado conjunto com conclusões, mas os países não têm obrigação de contemplá-las em suas legislações. Além disso, os encontros separados de autoridades de dois países são uma parte importante dos eventos. O G20 é formado pelos seguintes países: África do Sul; Alemanha; Arábia Saudita; Argentina; Austrália; Brasil; Canadá; China; Coreia do Sul; Estados Unidos; França; Índia; Indonésia; Itália; Japão; México; Reino Unido; Rússia; Turquia; União Europeia; União Africana. O G20 surgiu em 1999, após uma série de crises econômicas mundiais na década de 1990. A ideia era reunir os líderes para discutir os desafios globais econômicos, políticos e de saúde. Naquele momento, falava-se muito em globalização e na importância de uma certa proximidade para poder resolver problemas. O G20 é, na verdade, uma criação do G7, que é o grupo de países democráticos e industrializados, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e União Europeia. O primeiro encontro de líderes do G20 aconteceu em 2008. A cada ano, um dos 19 países-membros organiza o evento.

Dólar fecha em queda e Ibovespa sobe, à espera de dados de inflação; Americanas cai quase 2% após prejuízo bilionário


A moeda norte-americana caiu 0,23%, cotada a R$ 4,9810. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou em alta de 0,15%, aos 129.609 pontos. Dólar opera em baixa Karolina Grabowska O dólar fechou em baixa nesta segunda-feira (26), em mais um dia de agenda fraca no Brasil e no mundo. Nesta sessão, investidores seguiram na expectativa por algumas divulgações importantes que devem acontecer ao longo da semana. O destaque fica com os dados de inflação dos Estados Unidos, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, a prévia da inflação oficial brasileira) e para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O noticiário corporativo também ficou no radar, após a Americanas ter divulgado nesta manhã os seus resultados referentes aos nove primeiros meses de 2023. Entre janeiro e setembro, a empresa teve um prejuízo de R$ 4,6 bilhões. O Ibovespa, principal índice acionário da B3, a bolsa de valores brasileira, encerrou em alta. Veja abaixo o resumo dos mercados. Dólar Ao final da sessão, o dólar caiu 0,23%, cotado a R$ 4,9810. Veja mais cotações. Com o resultado, acumulou: queda de 0,23% na semana; alta de 0,89% no mês; avanço de 2,65% no ano. Na última sexta-feira (23), a moeda norte-americana subiu 0,80%, cotada a R$ 4,9924. Ibovespa Já o Ibovespa encerrou em alta de 0,15%, aos 129.609 pontos. As ações da Americanas, por sua vez, não conseguiram sustentar o sinal positivo da primeira metade do pregão e caíram quase 2%. A empresa reportou um prejuízo de mais de R$ 4 bilhões nos primeiros nove meses de 2023. Com o resultado, acumulou: avanço de 0,15% na semana; alta de 1,45% no mês; recuo de 3,41% no ano. Na sexta, o índice encerrou com uma baixa de 0,63%, aos 129.419 pontos. LEIA TAMBÉM DINHEIRO OU CARTÃO? Qual a melhor forma de levar dólares em viagens? DÓLAR: Qual o melhor momento para comprar a moeda? Entenda o que faz o dólar subir ou descer O que está mexendo com os mercados? O mercado seguem em compasso de espera por alguns dados econômicos importantes que serão divulgados ao longo da semana. O principal é o núcleo de preços PCE de janeiro, nos Estados Unidos, que deve sair na quinta-feira (29). Esse é o indicador de inflação favorito do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e serve como base para entender quais podem ser os próximos passos da instituição. Se a inflação vem controlada e dentro das expectativas, o mercado tende a interpretar como uma notícia positiva, que pode levar o Fed a considerar cortar as taxas de juros americanas nos próximos meses. Já se o resultado do PCE vier acima das projeções e mostrar uma aceleração dos preços, os investidores entendem que o Fed pode demorar mais para iniciar seu ciclo de corte nos juros. Há muita expectativa sobre quando o BC americano vai reduzir suas taxas, hoje entre 5,25% e 5,50% ao ano. Juros mais baixos ajudam a movimentar a economia, além de favorecer os ativos de risco, como mercados de ações e moedas de países emergentes. Ainda nesta semana, o mercado aguarda os números do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no quarto trimestre do ano passado e outros dados sobre a atividade econômica, como o índice de confiança dos consumidores. No Brasil, a grande agenda é o encontro de ministros da Fazenda na reunião do G20 na quarta e quinta-feira, em São Paulo. O Grupo dos 20 é uma organização que reúne ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais de 19 países e de dois órgãos regionais, União Europeia e a União Africana. Juntas, as nações do G20 representam cerca de 85% de toda a economia global, mais de 75% do comércio mundial e cerca de dois terços da população mundial. O G20 conta com presidências rotativas anuais. O Brasil é o atual presidente do grupo, tomou posse em 1º de dezembro de 2023 e fica no comando até 30 de novembro de 2024. Durante esse período, o país deve organizar 100 reuniões oficiais. Dados da prévia da inflação oficial do país (IPCA-15) e do PIB brasileiro também devem ficar no radar ao longo desta semana. Já no lado corporativo, destaque para a Americanas, que divulgou seus resultados financeiros dos nove primeiros meses de 2023, após uma série de atrasos e em meio ao processo de recuperação judicial. A companhia teve um prejuízo de R$ 4,6 bilhões no período e especialistas destacam que o endividamento continua elevado. Apesar disso, o resultado representa uma redução do prejuízo em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 6 bilhões. Nilson Marcelo, analista quantitativo da CM Capital, pontua que o balanço foi mais positivo que os últimos, "mas não o suficiente para que investidores já comecem a olhar para a empresa visando o longo prazo". "Infelizmente, a dívida continua muito alta e os principais acionistas ainda não fizeram os aportes necessários para a recuperação da companhia. Ainda é muito cedo para afirmas mas (a Americanas) fechar as portas não me parece provável", comenta o analista.

Fernando Haddad testa positivo para Covid-19


Ministro se sentiu indisposto na noite de domingo (25), fez um teste e confirmou o diagnóstico. Ele passa bem. Fernando Haddad em imagem do dia 18 de outubro de 2023, em Brasília Adriano Machado/Reuters O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está com Covid-19. Em nota, o ministério diz que o Haddad se sentiu indisposto na noite de domingo (25), fez um teste e confirmou o diagnóstico. A pasta afirma que o ministro passa bem e que fará novos testes nos próximos dias. O ministro participaria presencialmente dos compromissos do G20, em São Paulo, em 28 e 29 de fevereiro, mas deve presidir as reuniões de forma virtual. De acordo com a assessoria do ministro, em alguns compromissos ele irá enviar representantes. Em outros, participará de forma virtual. Na manhã desta segunda (26), a reunião com autoridades russas precisou ser cancelada. Mas a coletiva para o lançamento do plano de financiamento e economia sustentável segue mantida. É a segunda vez que Haddad testa positivo para a doença. Em 2022, ele também foi diagnosticado.

Americanas tem prejuízo de R$ 4,6 bilhões entre janeiro e setembro de 2023, após escândalo fiscal


Empresa teve uma redução de 45,1% em sua receita líquida nos nove primeiros meses do ano passado, puxada sobretudo pela forte redução de 77,1% nas vendas realizadas pelos canais digitais, que foram impactadas pela desconfiança dos consumidores. Fachada das Lojas Americanas em Franca, no interior de SP. IGOR DO VALE/ESTADÃO CONTEÚDO A Americanas registrou um prejuízo de R$ 4,61 bilhões entre janeiro e setembro de 2023, segundo balanço corporativo divulgado pela companhia nesta segunda-feira (26). Os números estavam suspensos desde o começo do ano passado, quando a empresa encontrou uma fraude bilionária em suas demonstrações financeiras. (relembre mais abaixo) O prejuízo da empresa foi puxado por uma queda de 45,1% em sua receita líquida nos nove primeiros meses de 2023 em relação ao mesmo período de 2022. Nos três trimestres deste primeiro ano de crise — que levou a companhia a um processo de recuperação judicial, com uma dívida estimada em R$ 50 bilhões —, a receita da empresa foi de R$ 10,293 bilhões. A principal razão para essa baixa na receita foi a forte diminuição nas vendas realizadas pelos canais digitais da companhia: uma queda de 77,1% entre janeiro e setembro de 2023 em comparação com os mesmos meses de 2022. Americanas teve prejuízo de R$ 12,9 bilhões em 2022, e de R$ 6,2 bilhões em 2021. Os números foram revisados após a empresa ter revelado “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões em seus balanços. Especificamente nos nove primeiros meses de 2022, o prejuízo foi de R$ 6 bilhões - ou seja, o resultado do período em 2023 mostra uma queda de 23,5% no prejuízo. A Americanas entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro de 2023, na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O plano foi aceito pelos credores da companhia apenas em 19 de dezembro, com apoio de mais de 90% dos votantes. LEIA TAMBÉM Starbucks vai fechar? De quanto é a dívida? Veja perguntas e respostas sobre a crise da marca no Brasil Americanas tem prejuízo de R$ 4,6 bilhões entre janeiro e setembro de 2023 Canais digitais foram os mais impactados Os canais digitais foram os que mais sofreram no ano passado, principalmente por conta da desconfiança de consumidores após as notícias sobre as fraudes financeiras e a recuperação judicial da empresa. "No digital, onde se concentram as vendas de tickets mais altos, houve um abalo de confiança. Os clientes tinham preocupação em relação às entregas dos produtos e os sellers (vendedores) ficaram temerosos de não receber os repasses pelas vendas realizadas", diz nota da Americanas. O volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) vendido nos canais digitais foi de R$ 4,8 bilhões entre janeiro e setembro, uma fatia de apenas 30% de todo o GMV da companhia, de R$ 16,1 bilhões. No mesmo período de 2022, o volume dos canais digitais foi de R$ 20,9 bilhões e representava 64% de todas as vendas da Americanas. Além da insegurança e desconfiança dos consumidores com os canais digitais, a própria empresa pontua que optou por modificar suas estratégias de negócios visando maior rentabilidade. A Americanas reduziu as vendas da categoria 1P (quando o varejista vende o seu produto para o marketplace e é a Americanas quem fica responsável por todo o processo de venda e entrega), migrando algumas categorias de produtos para a categoria 3P (quando é o varejista quem realiza os processos de venda e entrega). A estratégia, de acordo coma a companhia, prioriza as operações de maior rentabilidade e a redução de queima de caixa operacional. "Neste contexto, no 9M23 o 3P representou 65% do total das vendas comparado com 51% no 9M22, o que acreditamos que contribuirá para a rentabilidade da Companhia", diz a nota. Lojas físicas mais resilientes Já o GMV das lojas físicas se manteve mais estável entre os períodos de 2022 e 2023, com uma queda de 4,4% de um ano para o outro. Nos nove primeiros meses do ano passado, o volume de vendas pelos meios físicos foi de R$ 9,3 bilhões, contra R$ 9,7 bilhões registrados nos mesmos meses de 2022. No entanto, as lojas físicas passaram a representar quase 58% das vendas da Americanas. Esse número era de 29% no mesmo período de 2022. "A performance (das lojas físicas) melhorou à medida que as negociações com fornecedores evoluíram e o sortimento em loja foi sendo recomposto. Além disso, nesse período, também foi realizado trabalho de otimização do número de lojas, visando maior eficiência operacional", diz a companhia. Também como parte das estratégias adotadas pela empresa para melhorar sua estrutura operacional e financeira, a Americanas diz que optou por desacelerar as vendas de algumas linhas de tecnologia, além de migrar a venda de determinadas categorias para a operação 3P no digital. A companhia destaca que, nas lojas físicas, a categoria que mais cresceu em volume de vendas foi a de bomboniere, seguida por biscoitos. Relembre o caso ▶️ Em janeiro de 2023, a Americanas divulgou um fato relevante informando que havia identificado “inconsistências em lançamentos contábeis” nos balanços corporativos, em um valor que chegaria a R$ 20 bilhões. O então presidente da Americanas, Sergio Rial, decidiu deixar o comando da companhia e o escândalo iniciou um processo de derretimento de uma das maiores varejistas do Brasil. ▶️ Como consequência da revelação feita na noite de quarta-feira, os investidores amanheceram em polvorosa. As principais instituições financeiras colocaram as ações da Americanas sob revisão, e a B3, bolsa de valores de São Paulo, colocou os papéis ordinários (com direito a voto) da empresa em leilão. Veja mais detalhes na reportagem abaixo. Americanas desaba na bolsa após descoberta de rombo de R$ 20 bilhões; entenda o caso ▶️ Em poucos dias, a situação da Americanas degringolou. Depois de um derretimento das ações da Americanas na bolsa ao longo da semana e o início de disputas judiciais com credores em busca de pagamentos —, a empresa comunicou que mantém apenas R$ 800 milhões em caixa, o que torna a operação insustentável. ▶️ Sem solução para a pressão dos credores, a Americanas foi obrigada a entrar com um pedido de recuperação judicial para travar a dívida. As "inconsistências contábeis" haviam levado as dívidas da empresa para a casa dos R$ 43 bilhões, entre aproximadamente 16,3 mil credores. Veja mais detalhes na reportagem abaixo. Americanas pede recuperação judicial, com dívida de R$ 43 bilhões ▶️ A primeira versão do plano de recuperação judicial da companhia foi divulgada em março de 2023, mas o acordo só foi completamente aceito pelos credores em dezembro do mesmo ano. O plano apresentou um saldo de R$ 50,1 bilhões de créditos a serem reestruturados, uma dívida trabalhista de R$ 82,9 milhões e uma fraude de resultado de R$ 25,2 bilhões ao final de 2022. ▶️ O plano de recuperação judicial da Americanas aprovado pelos credores também prevê: O aporte de R$ 12 bilhões em aumento de capital da empresa por parte dos acionistas de referência da Americanas — o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, que juntos detêm 30,12% do capital social da companhia; A venda de ativos como o Hortifruti Natural da Terra, a Uni.Co — empresa de franquias que detém marcas como Imaginarium e Puket — e a possibilidade de venda da AME, entre outros pontos. Veja mais detalhes do plano na reportagem abaixo. Americanas: plano de recuperação judicial é aprovado em Assembleia de Credores; veja pontos G1 Explica: o rombo nas contas das Lojas Americanas

Contas públicas no azul e pobreza: os dois lados do ajuste radical de Milei na Argentina


O economista libertário prometeu cortar gastos e já conseguiu um excedente em um país habituado a déficits públicos, mas o custo social das suas medidas tem sido dramático. A pobreza aumentou quase 8 pontos desde dezembro e cada vez mais famílias precisam de ajuda para sobreviver Reuters via BBC Na semana passada, a Argentina registrou dois marcos: pela primeira vez em mais de uma década, o Ministério da Economia anunciou que havia um excedente fiscal. Ou seja, arrecadou mais do que se gastou, algo que poucas vezes aconteceu no país sul-americano. Pouco depois, o prestigiado Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) divulgou um número que deixou muitos indiferentes: estimou que a pobreza em janeiro ultrapassava os 57%, o pior índice desde a crise de 2001/2002. Esses dados refletem as duas faces da Argentina do presidente Javier Milei, o economista libertário que assumiu o cargo em dezembro passado prometendo melhorar a economia do país, que há décadas entra e sai da crise, e reduzir a inflação, que hoje é a mais alta do mundo. Argentina corta gastos e tem superávit mensal pela 1ª vez em 12 anos, mas sofre com pobreza e inflação em alta Em apenas dois meses Milei conseguiu cumprir a meta de “déficit zero”, ou seja, deixar de ter as contas no vermelho. E os mercados mostram a sua satisfação. Os títulos e as ações argentinas estão em alta, o dólar livre (ou “azul”) se estabilizou e o chamado “risco país” — índice que mostra a confiança na capacidade de um Estado pagar sua dívida — está no seu nível mais baixo dos últimos dois anos, o que pode ser interpretado como um sinal de que a direção macroeconômica está no caminho certo. Mas o remédio que Milei aplicou para alcançar essas melhorias — um ajustamento sem precedentes — tem consequências graves numa população que já teve seis anos consecutivos de queda dos salários reais, com um salário mínimo que equivale a apenas US$ 160 (cerca de R$ 800), o segundo menor da região, atrás apenas da Venezuela. Milei sofre grande derrota ao não conseguir aprovar mudanças legislativas na Argentina Motosserra + liquidificador Milei ficou famoso durante a campanha por brandir uma motosserra, símbolo de como planejava destruir os gastos públicos, motivo que tem levado o país a um déficit constante (112 dos últimos 122 anos). Segundo o economista, as soluções que os diferentes governos têm aplicado até agora — emitindo mais notas ou pedindo dinheiro para cobrir essas despesas — levaram o país a ter uma inflação que ultrapassa os 250% anuais e a ser o principal devedor mundial do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em vez dessas receitas, esse outsider, que entrou na arena política há menos de três anos, propôs uma solução mais drástica: cortar a origem do problema — os gastos excessivos — para atingir o “déficit zero”, que definiu como o seu principal objetivo de governo. E em novembro passado, no segundo turno eleitoral, quase 56% dos argentinos apoiaram a ideia, que supostamente — segundo Milei — iria focar no corte de despesas da “casta”, como ele chama a classe política tradicional. Mas poucos imaginavam quão rápidas e profundas seriam as mudanças que o novo presidente traria. Nem o quanto isso os afetaria diretamente. No dia em que assumiu o cargo, Milei prometeu reduzir 5 pontos do PIB – um ajuste inédito – e em janeiro já cumpriu a meta. REUTERS/Agustin Marcarian No dia em que tomou posse, 10 de dezembro, Milei declarou que seu objetivo era cortar 5 pontos do Produto Interno Bruto (PIB), um ajuste raramente visto na história, não só deste país, mas do mundo. Ele não havia detalhado que pretendia aplicar esse mega corte em menos de dois meses, algo também inédito. Para atingir o seu objetivo, não só ligou a famosa motosserra, reduzindo ministérios e secretarias pela metade, paralisando novas obras públicas, cortando subsídios e despesas com publicidade institucional e eliminando transferências discricionárias para as províncias (o que tem gerado uma briga com os governadores desses distritos). Ele também "ligou o liquidificador", que realmente tem sido sua principal ferramenta de ajuste. Ele emitiu um decreto para que este ano seja aplicado o mesmo orçamento que em 2023, fazendo com que as rubricas orçamentárias permanecessem abaixo da taxa de inflação (o que, na verdade, as reduziu fortemente). Mas a sua medida mais contundente foi retirar metade do valor do peso face ao dólar, o que fez com que o poder de compra dos salários e das pensões entrasse em colapso — ou fossem passados por um "liquidificador". Segundo o economista Martín Polo, da consultoria Cohen Aliados Financieros, as medidas de Milei reduziram em mais de 38% as aposentadorias e pensões, principal despesa do Estado. Os salários públicos também foram reduzidos em 27%, os subsídios econômicos (principalmente para energia) em 64% e as obras públicas em 86%. Tudo de uma vez. Além disso, a forte desvalorização acelerou ainda mais a inflação, que dobrou entre novembro e dezembro, atingindo 25,5% mensais no final do ano. Queda do consumo O resultado dessas medidas foi tão impressionante quanto dramático. Por um lado, o governo comemora ter alcançado em tempo recorde o seu objetivo de “déficit zero”, destacando que é a primeira vez desde 2012 que o setor público não reporta perdas. Pelo contrário, em janeiro o governo teve um excedente — ou superávit — de mais de US$ 580 milhões. A Argentina tem hoje a inflação mais alta do mundo, 254% ao ano. Getty Images via BBC Milei destaca ainda que a inflação, que parecia entrar num processo irreversível de hiperinflação, desacelerou, caindo cinco pontos no primeiro mês do ano (para 20,6%). A maioria das previsões privadas antecipa que a tendência continuará descendente, com uma inflação que rondará os 15% em fevereiro. Mas por trás disso, o custo humano dessas melhorias econômicas tem sido enorme. Segundo o Observatório da Dívida Social, entre dezembro e janeiro a pobreza saltou, passando de 49,5% para 57,4%, valor próximo ao da pior crise que a Argentina viveu até agora, a de 2001/2002, quando houve um valor recorde de 65,5% da população na pobreza. E, embora a queda da inflação gere expectativas, a dura realidade é que a principal razão pela qual os preços caem é que as pessoas já não têm dinheiro suficiente para gastar. “Houve queda no consumo no mercado interno. As vendas no varejo caíram 26,8% no mês de janeiro, segundo a Confederação Argentina de Médias Empresas (CAME) e continuam caindo em fevereiro”, disse Damián Di Pace, diretor da consultoria econômica Focus Market, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. “E o consumo de massa caiu 18,5%, então o que vemos é uma queda na atividade.” Ou seja: um aprofundamento da recessão que a Argentina já sofria, ou melhor, da “estagflação” — como explicou o próprio Milei — já que combina o estancamento econômico com uma inflação astronômica, o pior cenário. Esse processo levou o FMI a reduzir drasticamente as suas projecções do PIB para a Argentina. Enquanto em outubro havia prognóstico de um crescimento 2,8%, no final de janeiro essa expectativa foi mudada para algo negativo, estimando que, com as novas medidas anunciadas por Milei, a economia argentina vai contrair 2,8% neste ano. O tsunami Milei Os argentinos, de todas as camadas sociais, não esquecerão facilmente esses primeiros dois meses de governo de Milei. Os salários, que já eram os mais baixos da região depois da Venezuela, despencaram com o reajuste de Milei REUTERS via BBC Por um lado, os seus salários sofreram uma queda acentuada do poder de compra, devido à desvalorização e aceleração da inflação, que ultrapassou os 50% acumulados entre dezembro e janeiro (a inflação alimentar foi ainda maior). Mas, ao mesmo tempo, os seus bolsos sofreram — e continuam sofrendo — um verdadeiro bombardeio devido à “honestidade de preços” que tem levado tanto a produtos como a serviços — que durante os anos do governo Kirchner foram “pisados”, devido à intervenção do Estado — de repente a se libertarem. Devido à eliminação dos subsídios, o transporte público aumentou mais de 200% na região mais populosa do país e a tarifa de eletricidade subiu entre 65% e 150% (dependendo dos níveis de rendimento). As empresas privadas de saúde, das quais dependem milhões de argentinos, aumentaram suas taxas em mais de 100% depois que o novo governo desregulamentou o setor. "Os aumentos foram insanos. É a primeira vez na minha vida que não consigo pagar o plano de saúde", disse à BBC News Mundo Andrés, um consultor privado de 60 anos que prefere não revelar o sobrenome. “Vou ter que pedir empréstimo no banco para pagar porque tenho um problema crônico de saúde e não posso mudar meu plano, sou refém do sistema privado”, afirma. "Espero que seja apenas por alguns meses, até que a economia melhore." Aqueles no meio O receio é que muitas pessoas da classe média que já não podem pagar cuidados de saúde privados comecem a recorrer aos cuidados públicos, que já estão subfinanciados e sobrelotados. Algo semelhante poderia acontecer com a educação. As aulas começam em março, depois das férias de verão, e muitas famílias terão de fazer as contas para ver se conseguem pagar as escolas privadas dos seus filhos, que anunciaram aumentos significativos depois de o governo Milei ter permitido que elas definam o valor das suas mensalidades "sem limites". O presidente indicou que está trabalhando em “um mecanismo de assistência” para resolver esse problema (“se ​​a renda cai e você tem que mudar as crianças na escola, é traumatizante para pais e filhos”, disse ele em entrevista à Rádio La Red). Os aposentados e a classe média foram os mais afetados pelo ajuste REUTERS via BBC Mas ainda é cedo para saber se essa possível ajuda poderá aliviar os efeitos do ajuste econômico na classe média, a mais afetada juntamente com os aposentados. É o que mostram os números do Observatório da Dívida Social, que indicam que enquanto nas famílias mais humildes, que recebem assistência social, a pobreza aumentou 9 pontos desde o terceiro trimestre de 2023, o maior aumento ocorreu entre as famílias que não se qualificam para receber ajuda do Estado, onde a pobreza saltou de 27% para 44% (17 pontos). Esse aumento pode ser observado nos refeitórios sociais, onde, segundo movimentos sociais, o número de pessoas que frequentam diariamente aumentou pelo menos 50% desde dezembro. “Me ajuda muito levar um prato de comida para que meus filhos fiquem mais saciados enquanto minha esposa cozinha e aguentem um pouco até a hora do lanche”, disse Daniel Barreto, pedreiro que frequenta o refeitório Las Hormiguitas Viajeras, no município. de San Martin, ao norte da província de Buenos Aires. “Infelizmente, o dinheiro é inútil e tudo é dinheiro”, disse à agência AFP. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram porque “o dinheiro não serve para nada”: hoje o salário mínimo argentino representa menos de um terço do preço da cesta básica, o conjunto de bens e serviços que um casal com dois filhos precisa para não ficar na miséria. E isso não inclui o aluguel, uma das maiores despesas de muitas famílias que não possuem casa própria. O governo garante que está cuidando dos mais necessitados. Embora tenha recebido muitas críticas pela decisão de deixar de enviar alimentos para restaurantes e lanchonetes populares, ao realizar uma auditoria que busca afastar organizações intermediárias que acusa de clientelismo, o governo destaca que aumentou a ajuda direta, duplicando a Bolsa Universal por Filho e aumento do cartão alimentação em 50%. Os refeitórios sociais deixaram de receber abastecimento do Estado nacional em dezembro e janeiro, quando a inflação disparou mais de 50% REUTERS via BBC Em fevereiro, o Ministério do Capital Humano assinou também acordos de assistência alimentar com igrejas evangélicas e a associação católica Cáritas, num total de US$ 550 mil (cerca de R$ 2,7 milhões). Mas neste momento não existem medidas para aliviar a situação das camadas médias e dos idosos, que mais viram os seus rendimentos liquefeitos. O pior ainda está por vir Em meio à dor que suas medidas ainda causam, o próprio Milei alertou que “o momento mais difícil será entre março e abril”. No entanto, também disse que depois haverá uma recuperação em forma de V: “A partir daí você atingiu o fundo do poço e começou a se recuperar”, previu em diálogo com a Rádio Rivadavia. “As estimativas do FMI dizem que podemos abrir as ações no meio do ano”, explicou, referindo-se ao levantamento das restrições de acesso a dólares que foram impostas anos atrás na Argentina devido à falta de reservas do Banco Central (que hoje permanecem no vermelho, embora estejam melhorando e aumentem em abril graças às exportações do campo). “Quando você avança com as ações, a economia avança”, previu o presidente. Os refeitórios sociais deixaram de receber abastecimento do Estado nacional em dezembro e janeiro, quando a inflação disparou mais de 50% REUTERS via BBC Nem todos concordam com essa previsão otimista. Mas mesmo aqueles que têm uma visão positiva se perguntam duas coisas. De quanto será a redução de empregos e quantas empresas terão de fechar em consequência desse período de grave estagflação? Um dos poucos índices “positivos” da Argentina é a sua baixa taxa de desemprego, que ronda os 6%. E mais: quanto tempo durará a tolerância das pessoas a essa realidade sem precedentes?

Educação Financeira #283: como aproveitar a queda de juros para escolher um imóvel


Neste episódio, especialistas dão dicas de como juntar dinheiro e o que observar nas condições de financiamento de um imóvel. A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, começou a cair em meados de 2023. A expectativa geral do mercado e do próprio Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) é de que esse ciclo de cortes deve continuar pelos próximos meses. Hoje, a Selic está em 11,25% ao ano. Quando a taxa básica de juros cai, é normal que os juros praticados em todo o país também baixem, o que acaba barateando a tomada de crédito e os financiamentos. O mercado imobiliário é um dos principais beneficiários. Então, neste episódio do podcast Educação Financeira, especialistas dão dicas de como juntar dinheiro e o que observar nas condições de financiamento de um imóvel, para facilitar a organização financeira para realizar o sonho da casa própria. OUÇA O PODCAST ABAIXO: Ouça também nos tocadores Spotify Amazon Apple Podcasts Google Podcasts Castbox Deezer Logo podcast Educação Financeira Comunicação/Globo O que são podcasts? Podcasts são episódios de programas de áudio distribuídos pela internet e que podem ser apreciados em diversas plataformas — inclusive no g1, no ge.com e no gshow, de modo gratuito. Os conteúdos podem ser ouvidos sob demanda, ou seja, quando e como você quiser! Geralmente, os podcasts costumam abordar um tema específico e de aprofundamento na tentativa de construir um público fiel.