Presidente americano diz que tarifas recíprocas serão de ao menos metade das alíquotas cobradas dos EUA por outros países. Brasil será tarifado em 10%. Trump mostra tabela do "Dia da libertação" com tarifas a países
As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em alta nesta quinta-feira (2), antes do anúncio das tarifas recíprocas pelo presidente Donald Trump.
Mas, enquanto o norte-americano detalhava as medidas, os índices futuros das bolsas americanas mergulharam. O S&P 500 caiu 1,6%, enquanto o Nasdaq recuou 2,4%.
🔎 Os índices futuros são contratos negociados enquanto as bolsas estão fechadas, e que permitem especular sobre a direção do mercado no dia seguinte. A queda mostra que investidores esperam grandes perdas quando Wall Street abrir nesta quinta-feira (3).
"Palavras de presidentes importam", disse Christopher Wolfe, presidente e diretor de investimentos da Pennington Partners & Co, à agência Reuters. "Elas podem, e de fato, mudam políticas e a forma como a América corporativa responde às coisas. Esse é o peso que todos estamos sentindo agora."
O presidente dos EUA detalhou nesta quarta-feira (2) quais serão as tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril.
O republicano afirmou que o país cobrará ao menos 10% de todas as importações feitas pelo país, inclusive do Brasil, e que as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos serão ao menos metade da alíquota cobrada dos EUA.
As taxas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9.
Veja abaixo a lista completa.
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
"A partir de amanhã, os EUA implementarão tarifas recíprocas sobre outras nações. [...] Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça. [...] cobraremos deles aproximadamente metade do que eles têm cobrado de nós", afirmou Trump.
Trump afirmou que "teria sido difícil para muitos países" cobrar a mesma alíquota cobrada dos EUA, e que daria descontos porque os americanos são "muito gentis".
"Se vocês olharem para aquela primeira linha da China, 67%, essas são as tarifas cobradas dos EUA, incluindo manipulação cambial e barreiras comerciais. [...] vamos cobrar uma tarifa recíproca com desconto de 34%", disse.
"União Europeia, eles são muito duros, comerciantes muito, muito duros. Vocês sabem, vocês pensam na União Europeia, muito amigáveis. Eles nos exploram. É tão triste de ver. É tão patético. 39%, vamos cobrar deles 20%."
O presidente norte-americano disse ainda que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.
Trump anuncia 10% de taxa para produtos brasileiros
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
Além das tarifas recíprocas, outras taxas já anunciadas por Trump também passaram a valer nesta quarta-feira (2), como a cobrança de 25% sobre carros importados pelos EUA e as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países), por exemplo.
As incertezas sobre como essas taxas devem funcionar e quais os impactos podem ter nas economias do mundo têm impactado o mercado financeiro nas últimas semanas e causado uma série de reações de diferentes países.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
O projeto recebeu apoio amplo do Congresso e do governo, e veio após Trump citar o Brasil como exemplo de um país que deve ser taxado.
Trump: Decreto do 'tarifaço' é 'declaração de independência econômica' dos EUA
Ministério das Relações Exteriores criticou a tarifa geral de 10% imposta pelos EUA sobre todas as exportações brasileiras e afirmou que medida é unilateral, injusta e desequilibrada. Disse ainda que avalia uma reação. O governo brasileiro lamentou oficialmente nesta quarta-feira (2) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre todas as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Brasil afirma que a medida viola os compromissos assumidos pelos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode causar prejuízos expressivos ao comércio bilateral.
Segundo o Itamaraty, a nova tarifa, somada a outras já em vigor – como as que incidem sobre aço, alumínio e automóveis – terá impacto direto sobre todas as exportações de bens do Brasil para os Estados Unidos.
“A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a OMC e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, afirma a nota.
O governo brasileiro também rejeita o argumento de “reciprocidade comercial” usado pelo presidente Trump para justificar as novas tarifas. De acordo com o comunicado, os Estados Unidos mantêm superávit comercial expressivo com o Brasil, o que demonstra desequilíbrio real em favor dos norte-americanos.
“Somados bens e serviços, o superávit [dos EUA] chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo”, diz o texto.
“Ao longo dos últimos 15 anos, os EUA acumularam superávit de US$ 410 bilhões no comércio com o Brasil.”
Entrevista: Especialista fala sobre as Tarifas do Trump
Medidas em estudo
Em resposta, o governo brasileiro anunciou que pretende consultar o setor privado para avaliar o impacto das novas tarifas e defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos EUA. O Brasil também mantém aberto o canal diplomático, mas não descarta medidas legais e comerciais, inclusive recurso à OMC.
Tabela usada em discurso de Trump vira meme.
Reprodução
“O governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à OMC, em defesa dos legítimos interesses nacionais”, afirmou o Itamaraty.
O comunicado também menciona o projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já aprovado no Congresso, como um instrumento importante para permitir ações de retaliação em casos como o atual.
Negociações
Ao longo das últimas semanas, setores do governo buscaram negociar alternativas com representantes do governo de Donald Trump.
O secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Maurício Lyrio, por exemplo, viajou aos Estados Unidos acompanhado de outros diplomatas para tentar buscar alternativas. Lyrio é o atual negociador-chefe do Brasil no Brics e já exerceu a mesma função no G20.
Além disso, o chanceler Mauro Vieira teve ao menos duas conversas com Jamieson Greer, representante dos Estados Unidos para o comércio.
Cabe ao USTR (na sigla em inglês) desenvolver e coordenar a política de comércio internacional e investimentos externos dos Estados Unidos, supervisionando as negociações com outros países. O chefe do órgão atua como conselheiro do presidente americano para o comércio.
Paralelamente a essas conversas, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também conversou com Howard Lutnik, secretário de Comércio dos EUA.
Retaliação como alternativa
Diplomatas ouvidos pela GloboNews disseram nesta avaliar que o projeto em discussão no Congresso Nacional sobre a chamada reciprocidade configura o marco legal necessário para o Brasil agir se quiser retaliar os Estados Unidos em razão das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.
Acrescentam esses diplomatas, porém, que a meta do governo segue o entendimento de que ainda há margem para negociar com os representantes da Casa Branca para se chegar a um consenso sobre o "tarifaço".
Até então, Lula vinha tratando publicamente o tema das tarifas dos EUA com duas possibilidades para o Brasil: retaliar os EUA ou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Entretanto, no último fim de semana, antes de embarcar de volta para o Brasil após viagens ao Japão e ao Vietnã, Lula mudou o tom e disse que o governo iria "gastar todas as palavras que estão no nosso dicionário" para negociar com o governo Trump.
Diplomatas explicam que, com base nas regras da OMC, o Brasil não poderia simplesmente retaliar os EUA automaticamente por não haver previsão legal para isso.
Paralelamente, a avaliação é que o organismo multilateral está sem força para agir em razão da falta de juízes atuando no órgão de solução de controvérsias. Portanto, a saída encontrada pelo governo foi apoiar o projeto em discussão no Congresso.
Em 2024, as vendas de café para o país de Trump somaram US$ 2 bilhões. Depois, vieram as carnes e os sucos, especialmente o de laranja. Café é um dos produtos que têm pressionado os índices de inflação
Reprodução/TV Globo
O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos e o país de Donald Trump é o maior cliente externo dos produtores nacionais desse grão.
O café lidera as exportações do agro para os EUA em valor, ficando atrás apenas de produtos florestais, como as madeiras, segundo dados do governo brasileiro.
Em 2024, as vendas de café para os EUA somaram US$ 2 bilhões. Depois, vieram as carnes e os sucos, especialmente o de laranja, e produtos da cana, como açúcar e etanol. Veja mais abaixo.
Nesta quarta-feira (2), Trump determinou que o país passará a cobrar uma taxa de, no mínimo, 10% sobre os produtos importados do Brasil a partir do próximo sábado (5).
Atualmente, a importação nos EUA do café brasileiro não torrado, não descafeinado e em grão está sujeita a uma tarifa de 9%. A tarifa para carnes bovinas desossadas e congeladas é de 10,8%. Para o etanol, 2,5%.
Câmara aprova Lei da Reciprocidade, em resposta a 'tarifaço' de Trump
Setor do café aguarda
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disse ao g1 que não vai se pronunciar por ora. A entidade mantém contato com a Associação Nacional do Café dos Estados Unidos (NCA, em inglês), para avaliar possíveis impactos.
"Nossa avaliação ainda é preliminar e considera que o Brasil foi taxado em 10%, a Colômbia, também em 10%, e o Vietnã, em 46%", afirmou Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), citando outros países que também são fortes na exportação do grão.
Ele destacou que a exportação de café torrado moído representa uma parcela menor no volume total, onde predomina o grão verde, mas que é relevante saber qual seria o impacto.
No texto onde a Casa Branca detalha a ordem de Trump e defende que as novas tarifas são um ato de reciprocidade dos EUA com parceiros comerciais, o Brasil foi citado por causa do etanol.
"Brasil (18%) e Indonésia (30%) impõem uma taxa mais alta no etanol do que os Estados Unidos (2,5%)", diz a ordem assinada por Trump.
Câmara aprova Lei da Reciprocidade, em resposta a 'tarifaço' de Trump
O 'cafake', imitação de café, é popular na Europa e está ganhando o Brasil.
Para Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, o Brasil não foi dos mais prejudicados pelo anúncio do presidente americano. 'Brasil não foi dos mais prejudicados', diz especialista sobre tarifaço de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou nesta quarta-feira (2) quais serão as tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril. Segundo especialista ouvido pela GloboNews, o Brasil não foi dos mais prejudicados, e a medida é um risco para a inflação global.
“Com essa medida, os Estados Unidos praticamente estão assegurando a contratação de uma inflação global, e essa é a maior preocupação geral mundo afora", afirmou Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
"Inflação essa que já assombra a economia brasileira e é o pavor de todos os governantes que enfrentaram eleições nos últimos anos”, disse Coelho.
De acordo com o especialista, as tarifas não são boas, mas podem abrir novos mercados para o Brasil. "O Brasil não foi um dos mais prejudicados, primeiramente. A maior concentração é em relação à China, e isso deve abrir algumas oportunidades específicas para a indústria brasileira”, explicou.
“O efeito que isso tem ou pode ter é abrir novos mercados, que estão sendo afetados por essas novas tarifas, para produtos brasileiros. Ganhos setoriais são possíveis para o Brasil, mas a maior preocupação é que essas medidas, para além da relação bilateral, contratem uma inflação global para todos os mercados".
Taxa de 10%
O presidente dos EUA, Trump, faz anúncios sobre tarifas na Casa Branca
Reuters/Carlos Barria
O republicano afirmou que o país cobrará 10% de todas as importações feitas do Brasil, e as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos serão ao menos metade da alíquota cobrada dos EUA. Veja a lista completa mostrada por Trump.
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
No caso do Brasil, a base para todos os produtos é de 10%. Aço e alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25% de taxa.
O presidente norte-americano afirmou que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.
Presidente dos EUA prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. Trump anuncia 10% de taxa para produtos brasileiros Presidente dos EUA prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. Trump anunciou nesta quarta-feira (2) uma série de impostos de importação, no que chamou de 'Dia da Libertação'. A expectativa do anúncio mexeu com os mercados em todo o mundo. . Em seu anúncio, Trump prometeu taxar em 10% os produtos brasileiros, 34% aos chineses e 20% para União Europeia.. No Brasil, a Câmara aprovou urgência para a Lei da Reciprocidade às taxas.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país cobrará 10% de todas as importações feitas do Brasil. Em meio à elevação de tarifas decretadas pelo presidente norte-americano Donald Trump nesta quarta-feira (2), os produtos brasileiros vão pagar mais imposto para entrar nos EUA.
Dentre os 10 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria Exterior, estão óleos brutos de petróleo, ferro, aço, café em grão, pastas químicas de madeira, ferro fundido bruto, aeronaves e veículos aéreos, gasolina, carnes bovinas congeladas e produtos semimanufaturados de ligas de aço.
Trump assina decreto sobre tarifas de importação
Reprodução
Os óleos brutos de petróleo, que lideram a pauta de exportações, movimentando cerca de US$ 5,8 bilhões no ano, atualmente não pagam tarifa nos EUA.
Por outro lado, o Brasil também mantém um fluxo intenso de importações dos Estados Unidos, destacando-se produtos como partes de turbinas para aviões, gás natural liquefeito, óleo diesel, hulha betuminosa e naftas petroquímicas.
A maioria desses itens entra no Brasil sem tributação, mas produtos plásticos, como copolímeros de etileno e polietilenos, pagam 20% de imposto.
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Comércio de etanol: Brasil exportou US$ 181,8 milhões aos EUA em 2024 e importou US$ 50,5 milhões
Veja abaixo os principais produtos que o Brasil exportou para os EUA em 2024:
Óleos brutos de petróleo. Valor: R$ 5, 8 bilhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 0%
Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado. Valor: US$ 2,7 bilhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 7,2%
Café não torrado, não descafeinado, em grão. Valor: US$ 1,9 bilhão. Tarifa cobrada pelos EUA: 9%
Pastas químicas de madeira. Valor: US$ 1,5 bilhão. Tarifa cobrada pelos EUA: 3,6%
Ferro fundido bruto não ligado. Valor: US$ 1,4 bilhão. Tarifa cobrada pelos EUA: 3,6%
Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000 kg, vazios. Valor: US$ 1,4 bilhão. Tarifa cobrada pelos EUA: 0%
Outras gasolinas, exceto para aviação. Valor: US$ 997 milhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 0%
Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato, entre 7.000 kg e 15.000 kg, vazios. Valor: US$ 955,6 milhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 0%
Carnes desossadas de bovino, congeladas. Valor: US$ 885 milhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 10,8%
Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aço. Valor: US$ 738 milhões. Tarifa cobrada pelos EUA: 7,2%.
Veja os principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil:
Partes de turborreatores ou de turbopropulsores. Valor: US$ 3,2 bilhões. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Turborreatores de empuxo superior a 25 kN. Valor: US$ 2,9 bilhões. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Gás natural liquefeito. Valor: US$ 1,6 bilhão. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Óleos brutos de petróleo. Valor: US$ 1,45 bilhão. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Gasóleo (óleo diesel). Valor: US$ 1,43 bilhão. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Naftas para petroquímica. Valor: US$ 1,43 bilhão. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Hulha betuminosa, não aglomerada. Valor: US$ 1,39 bilhão. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Copolímeros de etileno e alfa-olefina, de densidade inferior a 0,94. Valor: US$ 579 milhões. Tarifa cobrada pelo Brasil: 20%
Óleos lubrificantes sem aditivos. Valor: US$ 571 milhões. Tarifa cobrada pelo Brasil: 0%
Outros polietilenos sem carga, densidade >= 0,94, em formas primárias. Valor: US$ 500 milhões. Tarifa cobrada pelo Brasil: 20%
Presidente americano diz que tarifas recíprocas serão de ao menos metade das alíquotas cobradas dos EUA por outros países. Brasil será tarifado em 10%. Trump mostra tabela do "Dia da libertação" com tarifas a países
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou nesta quarta-feira (2) quais serão as tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril.
O republicano afirmou que o país cobrará 10% de todas as importações feitas do Brasil, e as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos serão ao menos metade da alíquota cobrada dos EUA.
As tarifas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9.
Veja abaixo a lista completa.
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
"A partir de amanhã, os EUA implementarão tarifas recíprocas sobre outras nações. [...] Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça. [...] cobraremos deles aproximadamente metade do que eles têm cobrado de nós", afirmou Trump.
Trump afirmou que "teria sido difícil para muitos países" cobrar a mesma alíquota cobrada dos EUA, e que daria descontos porque os americanos são "muito gentis".
"Se vocês olharem para aquela primeira linha da China, 67%, essas são as tarifas cobradas dos EUA, incluindo manipulação cambial e barreiras comerciais. [...] vamos cobrar uma tarifa recíproca com desconto de 34%", disse.
"União Europeia, eles são muito duros, comerciantes muito, muito duros. Vocês sabem, vocês pensam na União Europeia, muito amigáveis. Eles nos exploram. É tão triste de ver. É tão patético. 39%, vamos cobrar deles 20%."
O presidente norte-americano disse ainda que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.
Trump anuncia 10% de taxa para produtos brasileiros
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
Além das tarifas recíprocas, outras taxas já anunciadas por Trump também passaram a valer nesta quarta-feira (2), como a cobrança de 25% sobre carros importados pelos EUA e as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países), por exemplo.
As incertezas sobre como essas taxas devem funcionar e quais os impactos podem ter nas economias do mundo têm impactado o mercado financeiro nas últimas semanas e causado uma série de reações de diferentes países.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
O projeto recebeu apoio amplo do Congresso e do governo, e veio após Trump citar o Brasil como exemplo de um país que deve ser taxado.
Trump: Decreto do 'tarifaço' é 'declaração de independência econômica' dos EUA
Tarifas recíprocas serão de ao menos metade da alíquota cobrada pelos países aos produtos americanos. Taxas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Trump anuncia 10% de taxa para produtos brasileiros
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (2) que o país passará a cobrar 10% de todas as importações do Brasil, como parte do decreto que estabelece tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos EUA.
O republicano também detalhou as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos. Segundo ele, as tarifas recíprocas serão ao menos metade da alíquota cobrada pelos outros países, sendo a taxa mínima de 10%.
As tarifas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9.
"Os números são tão desproporcionais, são tão injustos. Ao mesmo tempo, estabeleceremos uma tarifa mínima de 10%. [...] Isso será para ajudar a reconstruir nossa economia e evitar a trapaça", afirmou Trump.
"As nações estrangeiras finalmente serão convidadas a pagar pelo privilégio de acesso ao nosso mercado, o maior mercado do mundo."
No caso do Brasil, a base para todos os produtos é de 10%. Aço e alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25% de taxa.
"A partir de amanhã, os EUA implementarão tarifas recíprocas sobre outras nações. [...] Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça. [...] cobraremos deles aproximadamente metade do que eles têm cobrado de nós", afirmou.
Trump também deu exemplos das taxas que serão cobradas de outras nações. Veja abaixo a tabela com alguns dos países.
Trump afirmou que "teria sido difícil para muitos países" cobrar a mesma alíquota cobrada dos EUA, e que daria descontos porque os americanos são "muito gentis".
"Se vocês olharem para aquela primeira linha da China, 67%, essas são as tarifas cobradas dos EUA, incluindo manipulação cambial e barreiras comerciais. [...] vamos cobrar uma tarifa recíproca com desconto de 34%", disse.
"União Europeia, eles são muito duros, comerciantes muito, muito duros. Vocês sabem, vocês pensam na União Europeia, muito amigáveis. Eles nos exploram. É tão triste de ver. É tão patético. 39%, vamos cobrar deles 20%."
O presidente norte-americano disse ainda que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.
Entenda o 'tarifaço' de Trump
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
"Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história americana. É nossa Declaração de independência econômica", afirmou o presidente norte-americano.
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
Além das tarifas recíprocas, outras taxas já anunciadas por Trump também passaram a valer nesta quarta-feira (2), como a cobrança de 25% sobre carros importados pelos EUA e as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países), por exemplo.
As incertezas sobre como essas taxas iriam funcionar e quais os impactos podem ter nas economias do mundo têm impactado o mercado financeiro nas últimas semanas e causado uma série de reações de diferentes países.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
O projeto recebeu apoio amplo do Congresso e do governo, e veio após Trump citar o Brasil como exemplo de um país que deve ser taxado.
Trump anuncia tarifas recíprocas
REUTERS/Carlos Barria
Trump: Decreto do 'tarifaço' é 'declaração de independência econômica' dos EUA
Simone Tebet indicou que, se aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antecipação do 13º dos aposentados e pensionistas devem ser feito em maio e junho deste ano. Decisão ainda precisa ser formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, informou nesta quarta-feira (2) que uma eventual antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas, se autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não será concedida em abril. Ela participou da cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central, em Brasília. "Já não é desde esse ano, ano passado, ano retrasado, já aconteceu. Não dá para fazer. No mês de abril, é inviável. Nós temos as dificuldades. Todos os últimos anos foram maio e junho. Então, se houver essa decisão agora do presidente [Lula], nós estamos preparados para atendê-lo em relação a isso. De novo, acho que é o presidente que tem que anunciar essa antecipação. O próprio ministro do Trabalho, enfim, do próprio INSS, o ministro da Previdência. Eu deixo para eles esse anúncio, essa possível boa notícia", declarou Simone Tebet. Na semana passada, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, informou que a equipe econômica deve antecipar o pagamento do 13º salário dos aposentados e pensionistas em 2025, a exemplo do que aconteceu nos últimos anos. Pelo cronograma tradicional, os valores são depositados somente no segundo semestre. Em 2023, os pagamentos aconteceram em maio e junho. No ano passado, foram feitos em abril e maio. Se formalizada, a antecipação do décimo terceiro salário dos aposentados e pensionistas precisa de um ato legal, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Terão direito ao abono pessoas que, em 2025, tenham recebido auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão da Previdência Social. O governo não informou quantas pessoas podem ser beneficiadas. Aposentados e Pensionistas terão até 8 anos pra pagar o empréstimo consignado Mais de R$ 80 bilhões pagos em fevereiro Em fevereiro, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou mais de 40 milhões de benefícios, o que totalizou R$ 82,2 bilhões. Segundo o governo, 28,5 milhões de pessoas, cerca de 70% do total dos aposentados e pensionistas, receberam um salário-mínimo (R$ 1.518). Outros 12,2 milhões de beneficiários recebem acima do piso nacional, entre esse quantitativo, 10,6 mil ganham o teto da Previdência Social.
Fontes do Itamaraty e Planalto tentam negociar com a Casa Branca para diminuir o impacto sobre as novas medidas que devem ser anunciadas nesta quarta-feira (2). Trump durante visita à Flórida em 28 de março de 2025
REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo
O governo Lula tem encontrado dificuldades para negociar com a gestão Donald Trump às vésperas da nova taxação de produtos importados. O intuito do governo brasileiro é diminuir o impacto das novas medidas que devem ser anunciadas pelo governo americano nesta quarta-feira (2).
Fontes do Itamaraty, da Secretaria de Comunicação (Secom) e da assessoria internacional do Planalto relataram ao blog que as decisões sobre tarifas estão sendo tomadas de maneira altamente centralizada dentro da Casa Branca. Segundo essa avaliação, Donald Trump e seu entorno imediato definem os rumos sem grande interferência de seus próprios auxiliares, como o representante comercial, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.
A percepção no Itamaraty é de que os diplomatas brasileiros estão praticamente "no escuro" sobre as decisões que serão anunciadas, dada a falta de espaço para um diálogo estruturado. Essa centralização excessiva torna as negociações ainda mais complexas, já que a leitura é de que os interlocutores americanos têm pouco ou nenhum poder de decisão, até porque qualquer posição que eles venham a tomar pode ser desautorizada por Trump.
"Trump está cercado por terraplanistas econômicos. Não há técnico ou ministro que o convença de nada", resume um diplomata brasileiro. "Ninguém sabe o que vai acontecer, nem mesmo Wall Street. Trump age como um caudilho latino-americano dos anos 60".
'Trump é cercado por terraplanistas econômicos', diz diplomata brasileiro
No Itamaraty, a leitura sobre Lutnick é de que ele é totalmente submisso a Trump, o que prejudica qualquer avanço nas tratativas com o Departamento de Comércio. Já sobre Jamieson Greer, a avaliação é um pouco mais positiva.
Nos últimos dias, o chanceler Mauro Vieira tentou um contato com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), mas a conversa não ocorreu.
O embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, esteve em Washington em busca de avanços, reunindo-se com representantes do Departamento de Comércio, do USTR, com empresários na Câmara de Comércio, com o sherpa americano do G20 e com parlamentares republicanos.
O governo brasileiro tem reforçado um argumento-chave nas negociações: "O Brasil não é um problema para os Estados Unidos". Lyrio levou números que mostram que os EUA têm com o Brasil o terceiro maior superávit comercial considerando bens e serviços. Diplomatas têm citado um ditado americano para ilustrar a posição do Brasil: "If it ain’t broke, don’t fix it", o mesmo que "se não está quebrado, não conserte".
Um ponto de atrito, no entanto, é a queixa americana sobre o protecionismo brasileiro no setor de etanol. O governo brasileiro entende que as pressões vêm de lobbies de produtores de etanol de milho no Meio-Oeste americano, região que compõe a base eleitoral de Trump.
Internamente, o governo Lula considera que um fator positivo nas negociações é o projeto de lei da reciprocidade, que cria um marco legal para lidar com a questão tarifária e dá mais peso ao Brasil na mesa de negociação. Desde o início da crise comercial, o Planalto vinha defendendo o envolvimento do Congresso, algo que a diplomacia brasileira já apontava como estratégia desde o primeiro anúncio de tarifas por Trump.
Entenda o que pode mudar com a nova Lei da Reciprocidade Econômica
O governo entende que é preciso ter medidas de reciprocidade preparadas como uma carta na manga, mas também que ainda haverá um tempo de negociação antes que qualquer tarifa entre em vigor. "As portas ainda estão abertas", avalia um auxiliar de Lula, reforçando que não há um prazo definido para encerrar as negociações.
'Tarifaço' de Trump: os impactos das taxas sobre aço e alumínio para o Brasil